Inquisição Espanhola
Tribunal criado em 1478 sob controle sobretudo da Coroa; segundo Kamen, ~3.000 a 5.000 execuções em 350 anos.
- Tipo
- instituicao
- Século
- XV-XIX
- Ano
- 1478-1834
- Local
- Castela e Aragão, Espanha
A Inquisição Espanhola é o caso central de toda a discussão. Foi criada em 1478 por bula de Sisto IV a pedido dos Reis Católicos, Fernando e Isabel. A peculiaridade decisiva, sublinhada por Henry Kamen, é que ela foi sobretudo uma instituição do ESTADO, não diretamente papal: a Coroa nomeava o Inquisidor-Geral e usava o tribunal como instrumento de unificação política e religiosa. Roma frequentemente tentou — e falhou — moderar seus rigores.
Seu alvo inicial não eram judeus ou muçulmanos praticantes, mas os 'conversos' e depois os 'mouriscos', suspeitos de judaizar ou islamizar em segredo. A expulsão dos judeus de 1492 foi ato da Coroa, distinto do tribunal. Tomás de Torquemada, primeiro Inquisidor-Geral, ficou como símbolo do rigor inicial.
Os números reais demolem a lenda negra. A partir dos próprios arquivos, Kamen, Henningsen e Contreras estimam algo entre 3.000 e 5.000 execuções em mais de três séculos — não os milhões da propaganda. Grande parte dos processos terminava em absolvição ou pena leve; o 'auto de fé' era em sua maioria cerimônia de reconciliação, não de fogueira.
Ao mesmo tempo, a honestidade exige reconhecer os abusos: havia tortura, confisco de bens com incentivos perversos, segredo processual, prisões prolongadas e o sofrimento real de milhares de famílias estigmatizadas. A pesquisa moderna corrige o exagero sem branquear a injustiça.