Inquisição Romana (Santo Ofício)
Criada em 1542 por Paulo III, foi a Inquisição diretamente papal, voltada à Reforma protestante.
- Tipo
- instituicao
- Século
- XVI
- Ano
- 1542 em diante
- Local
- Roma, Itália
A Inquisição Romana foi criada em 1542 por Paulo III, pela constituição 'Licet ab initio', que instituiu a Congregação do Santo Ofício. Diferentemente das inquisições espanhola e portuguesa, esta era diretamente papal, parte da Cúria, e nasceu como resposta ao avanço do protestantismo na Itália.
Seu campo foi sobretudo o controle doutrinal e a censura de livros, ligando-se ao Índice de Livros Proibidos (1559). Ao contrário do imaginário, a historiografia recente (Borromeo, Tedeschi) mostra que o procedimento romano era comparativamente garantista: réus tinham direito a defesa, a tortura era usada com parcimônia e havia revisão central que muitas vezes moderava sentenças locais.
Isso não apaga os episódios graves. Foi sob a Inquisição Romana que ocorreram a execução de Giordano Bruno (1600) e o processo de Galileu (1633). A tortura existia, e a censura causou danos intelectuais e humanos reais.
A instituição atravessou os séculos sob vários nomes. Em 1908 tornou-se a Sagrada Congregação do Santo Ofício e, na reforma de 1965, após o Concílio Vaticano II, a Congregação para a Doutrina da Fé — hoje Dicastério para a Doutrina da Fé —, com função doutrinal e sem qualquer poder coercitivo civil.