Inquisição

O pedido de perdão de São João Paulo II (Jubileu de 2000)

No Jubileu de 2000, São João Paulo II pediu perdão pelos pecados cometidos por filhos da Igreja, inclusive a violência em nome da fé.

Tipo
caso
Século
XXI
Ano
2000
Local
Roma, Vaticano

Como parte da preparação para o Grande Jubileu de 2000, São João Paulo II conduziu um exame de consciência histórico sem precedentes. Encomendou à Comissão Teológica Internacional o documento 'Memória e reconciliação: a Igreja e as culpas do passado' (2000), que distinguia a santidade da Igreja dos pecados de seus membros.

Em 12 de março de 2000, primeiro domingo da Quaresma, na Basílica de São Pedro, presidiu a liturgia do 'Dia do Perdão'. Em sete petições, pediu perdão por pecados cometidos por filhos da Igreja ao longo dos séculos — entre eles os cometidos 'a serviço da verdade', isto é, o uso de métodos violentos e intolerantes na defesa da fé, o que abarca diretamente os abusos da Inquisição.

O gesto foi cuidadosamente formulado: não condenou em bloco gerações inteiras nem reescreveu a teologia, mas reconheceu faltas reais e pediu 'purificação da memória'. A ele se ligou o reconhecimento do erro no caso Galileu (1992).

Para um tratamento católico honesto da Inquisição, este é o ponto de chegada: a verdade histórica (corrigir os exageros) e a verdade moral (reconhecer os pecados) encontram-se no pedido de perdão. Não é autoflagelação nem autojustificação, mas contrição lúcida diante da história.

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