Inquisição

O processo de Galileu Galilei

Astrônomo condenado em 1633 por defender o heliocentrismo; caso complexo de ciência, autoridade e prudência mal aplicada.

Tipo
caso
Século
XVII
Ano
1616-1633
Local
Roma, Itália

Galileu Galilei (1564-1642) é o caso mais célebre e mais mal contado. Católico praticante, defendia o heliocentrismo de Copérnico. Em 1616, o Santo Ofício declarou a tese do Sol imóvel 'formalmente herética', e São Roberto Belarmino advertiu Galileu a sustentá-la apenas como hipótese matemática, já que faltavam então provas físicas conclusivas do movimento da Terra.

Em 1632, Galileu publicou o 'Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo', que defendia abertamente o heliocentrismo e parecia ridicularizar o papa Urbano VIII, antes seu admirador. Julgado em 1633, foi considerado 'veementemente suspeito de heresia', obrigado a abjurar e condenado a prisão domiciliar, que cumpriu até a morte, continuando a trabalhar. Não houve tortura nem fogueira.

A nuance é essencial nos dois sentidos. Foi erro grave a Igreja tratar como questão de fé uma hipótese científica e impor silêncio a uma verdade que se confirmaria. Mas o caso foi atravessado por temperamentos, política eclesiástica e o fato de que as provas decisivas só viriam mais tarde — o que torna a história mais complexa que a fábula do gênio contra os obscurantistas.

A Igreja reconheceu o erro explicitamente: em 1992, São João Paulo II declarou que os juízes de Galileu erraram, chamando-o de 'caso trágico' e lição sobre fé e ciência.

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